A alguns mestres com carinho, a outros nem tanto.

Author: Dr. Hannibal /

Entre janeiro de 2005 e dezembro de 2008, estivemos submetidos ao conhecimento e as experiências daqueles que, nos mostrariam os possíveis caminhos a percorrer em nossa jornada como futuros educadores. Vimos e ouvimos de Nietzsche a Piaget, de Marx ao garçom do Sandubom. Nesses momentos, ou em muitos deles, estiveram presentes nossos mentores, professores e professoras responsáveis por nos conduzir em direção aos teóricos, aos filósofos, aos pensadores e as práticas pedagógicas.

Desde os primeiros meses na Universidade percebemos que nem sempre a teoria era condizente com a prática. Sabíamos que era difícil agradar a todos, que um educador jamais conseguirá atingir os alunos como um todo, e que, mesmo assim, as exceções poderiam suplantar as dificuldades e percorrer com suas próprias pernas os degraus do conhecimento. Nos quatro anos de curso vimos, por exemplo, professores serem criticados, pelo corpo dissente, inclusive sofrendo o afastamento temporário, e mesmo assim, a prática pedagógica não mudou.

Quando ingressamos no Curso de história, éramos 30 colegas entusiasmados, cheios de sonhos e de planos. Lembro-me, com felicidade e um pouco de nostalgia, do teatro de 2005, o João com seu vestido tubinho, nos levou para próximo do cotidiano de um educando do Ensino médio ou fundamental. As saídas a campo para São Chico e para o Caieiras nos aproximaram do mundo da história existente fora da academia que nos prendia. Foi naquele ano que o Car nos apavorou e que Nietzsche surgiu para mim. As discussões nas aulas de política esquentavam os ânimos da turma. Houve até um movimento tentando afastar o professor Afonso. Hoje, aqui está o Afonsão, que nos honra em ser nosso paraninfo e com certeza, será sempre um grande amigo de todos nós.

Seguimos em frente, chegamos ao 2º Ano. As amizades se estreitavam, mas os amigos diminuíam. Recebemos, naquele ano, alguns colegas que permaneceriam conosco até o fim. A psicologia falava do crescimento das crianças, mas não falava do nosso. Conhecemos o Michel de Certau. O Douglas nos convenceu de que Maria Louca havia se suicidado em um dos momentos de práticas pedagógicas daquele ano. Descobrimos também, que depende do professor tornar as aulas agradáveis. Quando propomos conhecer um engenho, tivemos como resposta “eu posso passar um filme”. Ao mesmo tempo, conhecemos São Paulo e seus museus. Surgiram os seminários e descobrimos que os pioneiros da historiografia catarinense estavam entre nós. Naquele ano tivemos o primeiro contato com o estágio.

2006 ficou para trás e 2007 surgiu como um momento nublado em nossas vidas. Perdemos menos amigos naquela passagem de tempo, mas isso não significou maiores facilidades. Enquanto colocávamos a interdisciplinaridade em ação com a aula sobre Revolução Farroupilha que demos para o 1º ano, ainda “Era muita brincadeira para pouco conhecimento”. Conhecimento esse que tivemos de sobra quando apresentamos, juntamente com o curso de Letras, a aula-show sobre Samba e história. Compreendemos, não sem dor, que Marx era importante e devia ser estudado. Fomos para a sala de aula conhecer o mundo do educador e percebemos que não seria fácil. Nesse ano, a figura de duas professoras que eu levo como mestras para o resto da vida, fizeram com que eu não desistisse no meio do caminho. Agradeço de coração a professora Marta e a professora Raquel.

A discussão que tivemos naquele ano com alguns educadores, nos deixou claro que alguns professores eram incapazes de compreender que a única coisa que queríamos era uma educação de qualidade. O que nos trouxe sérios problemas no inicio do 4º ano.

O ano derradeiro se apresentou. Mesmo com os problemas ocasionados pela situação que se estabeleceu no fim do ano letivo anterior, 2008 nasceu como a luz no fim do túnel. Éramos 30 colegas no inicio, agora éramos apenas 18 (ver quantos) originais da turma de 2005. O alto preço das mensalidades ceifou alguns sonhos, mas lhes garanto que essa não foi à única causa.

Hoje, vejo que muito do que eu sentia em relação ao Sistema Educacional, ou pelo menos, o que ainda restava de esperança, se desfez quando a lista da GERED saiu no final do ano passado. Todos nós temos problemas, e isso é fato. Ninguém aqui é melhor do que ninguém, mas todos aqui batalharam e batalham para a cada dia ser um educador que supra as necessidades dos nossos educandos, porém, muitos de nós estavam em posições que nos impedia de dar aula, ou, pelo menos, adiava e muito a nossa realização profissional e que, em contra partida, alguns que desde o início não tiveram comprometimento com a educação, com os colegas de classe ou com os educadores puderam empinar o nariz e dizer “Eu sou professora!”. Todos nós temos a nossa parcela de culpa, mas lembrem-se, caros mestres, de todos os professores observados por nós no campo de estágio e que relatamos o assassinato que eles cometiam com os educandos, lembrem-se de que um dia estiveram aqui no nosso lugar, um dia passaram por vocês e vocês os colocaram lá

Para encerrar gostaria de ler trechos de duas músicas, O poema, de Cazuza e Novamente de Ney Matogrosso.

“Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo eu acordei com medo e procurei no escuro alguém com o seu carinho e lembrei de um tempo, porque o passado me traz uma lembrança do tempo em que eu era criança, que o medo era motivo de choro, desculpa para um abraço ou um consolo. Hoje eu acordei com medo, mas não chorei, nem reclamei abrigo, do escuro eu via o infinito sem presente, passado ou futuro, senti um abraço forte, já não era medo, era uma coisa sua que ficou em mim, de repente a gente vê que perdeu ou está perdendo alguma coisa, morna e ingênua que vai ficando no caminho que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado pela beleza do que aconteceu a minutos atrás”.

“Ao mesmo tempo em que machuca, o tempo me passeia. Quem sabe o que se dá em mim quem sambe o que será de nós, o tempo que antecipa o fim também desata os nós, quem sabe soletrar adeus sem lágrimas e nenhuma dor os pássaros atrás do sol, as dunas de poeira o céu de anil do pólo sul, a dinamite do paiol não há limite no anormal é que nem sempre o amor é tão azul, a música preenche a sua falta, motivos dessa solidão sem fim se alinham pontos negros de nós dois que arriscam uma fuga contra o tempo, o tempo salta quem sabe o que se dá em mim quem sabe o que será de nós, o tempo que antecipa o fim também desata os nós”.

Mais um dia na prefeitura.

Author: Dr. Hannibal /

Mais um dia na prefeitura.

Às vezes o trabalho de Servidor Público fica mais divertido. Bem próximo de mim, trabalha alguém ligado aos partidos de direita da cidade. É engraçado, o PMDB estava no poder fulano era 15 até de baixo d’água, entrou o Teba, “PSDB!! PSDB!! PSDB!!” nas últimas eleições já era filiado ao DEMônio e gritava em altos berros para todos ouvirem que o próximo prefeito seria o “Gênio” Darci de Matos, eu como bom estagiário que sou, baixava as orelhas e aturava os desmandos de tal criatura que tinha todo o poder de um concurso público nas costas.
Um dia desses, durante a campanha eleitoral, fui obrigado a apertar a mão do “Fabinho” como era carinhosamente chamado o candidato a vice-prefeito do Darci, (Fabio Dalonso PSDB) o “camarada” era amigo pessoal de fulano de tal que me dá o desprazer de ser meu colega de trabalho.
Depois das primeiras pesquisas que indicavam o candidato do PT como favorito a eleição a coisa começou a mudar. O silêncio nos corredores era quase aterrador, os cochichos pelos cantos, os rumores de diretoras desesperadas. E essa criatura fazendo conchavos com pessoas de todos os tipos. E eu começava a dar umas risadas mais altas, é lógico!
Ainda durante a campanha, cheguei um pouco atrasado e em minha sala encontrei fulano de tal conversando com cicrano, qual foi a minha surpresa quando cicrano pediu uma vaga na prefeitura, “pelo menos até o fim do ano” disse o safado. Fulano não poupou tempo, “Já vou ligar pro chefe e te consigo alguma coisa. Mais tarde te ligo”. Não deu outra. Cicrano foi embora e depois de dois ou três telefonemas de fulano tínhamos mais um cabide de emprego na Prefeitura Municipal de Joinville.
Foi o primeiro turno e Carlito Mers levou vantagem absurda sobre o Darcizinho, nem o mais otimista dos Petistas imaginava algo como aquilo. O clima na prefeitura era outro completamente diferente, “É, está na hora de começar a mudar!” “O PT não é tão ruim assim”, dizia fulano. E por fim o PT venceu! Minha nossa senhora aparecida do bom parto! O desespero que já era grande no DEM e no PSDB só tinha a aumentar, certo? Errado! Não pude ir à comemoração, era muito longe de casa e meu filho não podia sair naquela chuva, fiquei em casa comemorando silenciosamente. No dia seguinte fui trabalhar e o que fulano me diz? “Que lindo que estava a comemoração no Sitio Novo”. Pensei comigo que ele havia assistido na TV, era impossível tamanha hipocrisia até para fulano de tal. Onde tu visses? Perguntei ingenuamente. “Eu estava lá!”. Que dor no meu coração.
Além disso, um colega veio me dizer que fulano de tal já estava fazendo planos e trocando idéias comigo. Comigo! Nem filiado ao Partido eu sou, ninguém merece ter meu pobre nome sujo em línguas venenosas. Acabou-se qualquer possibilidade de ética partidária.
Hoje, Fulano de tal é candidato a um cargo público eletivo e as falas que mais ouço por esses ouvidos tão fatigados são: “É preciso se mobilizar, buscar o apoio do novo prefeito e trabalhar pelo funcionário público”. Até assembléia eu já o vi cogitando. Pelo visto a ideologia mudou junto com o prefeito. Inocência minha, o que mudou foi à maré na qual fulano de tal tem de remar para conseguir dinheiro e poder.

Contra campanha fascista em Jacucity!

Author: Dr. Hannibal /

Até quando as “pessoas direitas” (citando o Sr. Paulo Curvello ex-presidente da Associação dos Policiais Civis de Joinville) vão continuar com essa campanha Fascista repleta de injúrias e calunias? O Candidato do DEM continua a pregar aos quatro cantos “Somos defensores da ética na política!”
Hoje enquanto vinha para a Univille, passei por um carro de som que dizia: “Contra a corrupção, contra os dólares na cueca, contra o mensalão!”. Pensei comigo “os caras me falam de ética na política como se fossem os maiores santos do país”. Durante 20 anos, os mais tenebrosos da nossa política, fizeram parte do grupo que governava através de uma ditadura sanguinária, que seqüestrava, torturava e matava centenas de pessoas em seus porões. Com o fim da ditadura viraram o Partido da Frente Liberal, mais conhecido como PFL e por anos continuaram mandando na política brasileira, os ACM’s, Bornhausens e Sarneis da vida, permaneceram como caciques de seus redutos.
Com o inicio de uma derrocada, os “chefes” tiveram de mudar de nome, tentando segurar o avanço democrático àqueles que construíram a ditadura no Brasil passaram a se autodenominar Democratas, que ironia.
Mesmo assim permaneceram agindo da mesma forma que antes, está aí o nosso querido Norival Silva que não nos deixa negar. Confesso que senti pena do Nilson Gonçalves enquanto ele chorava na TV.
Apesar disso, hoje é possível vislumbrar um futuro melhor, as coisas começaram a mudar, o país tomou outros rumos e a impunidade diminuiu. Prova disso é a quantidade de DEMônios caçados nos últimos anos.
Sei que muito ainda deve mudar, que alguns daqueles em que confiei cometeram “atrocidades políticas”. Mesmo assim sinto-me feliz por ver que o controle dos caciques diminuiu de forma abismal e que há alguma esperança para a política brasileira, http://noticias.bol.uol.com.br/infograficos/eleicoes/2008/prefeitos-eleitos/ como nos mostram os resultados das úlitmas eleições

Dia Chuvoso

Author: Dr. Hannibal /


Nada de novo para postar, e como ninguém lê isso daqui, vou falar do meu dia.
Acordei as 7:00 horas, como sempre meu bebê chorava ou resmungava no berço. Levantei, fiz o café, peguei o muleque, esquentei a mamadeira, dei um beijo no meu anjo ela pegou o Vine e deu de mamar.
Arrumei o altar sagrado do café da manhã, coloquei as xícaras e os pires metodicamente sobre a mesa em seus devidos lugares, a mesa ainda trazia farelos de pão do dia anterior.
Peguei o leite, o pão, o mouse de banana, meu preferido, a maionese que nunca é usada, deixei o queijo na geladeira. Distribuí os talheres, duas facas, duas colheres de café e uma faca de serra para o pão.
Chamei a Paty e fomos degustar um cafezinho da manhã para tirar o restante do sono. Uns beijinhos uns amassos e fui para o computador, fichei 40 páginas de um livro do Vygotsky, me senti uma mula, não entendia nada do que o cara falava. Troquei o bebê enquanto a Paty telefonava, entreguei-o para ela, voltei a digitar.
A Paty saiu pra comprar comida, embalei o bebê, ele dormiu, a paty chegou, eu tomei banho, coloquei bermuda e camiseta, o microondas fez PI...pi...pi...pi era a lasanha que ficava pronta, comemos. Dei um beijo na Paty, o muleque acordou, dei um beijo nele, coloquei minha Ipanema e fui trabalhar.
Cheguei ao trabalho, tive reunião, discutimos os rumos políticos de Joinville, falamos mal de outras pessoas, conversamos sobre os textos da pesquisa, comi bolachas, entreguei relatórios e vim para a Univille. Na chuva molhei meus pés.
Agora estou aqui escrevendo. E você já pensou no tempo que você perdeu hoje?

O chá das 5

Author: Dr. Hannibal /

Nos últimos meses vinha divagando acerca dos rumos da economia mundial. Não sou economista, nem mesmo cientista político, sou apenas mais um estudante de história, intrigado com a derrocada do capitalismo dos últimos 30 anos, iniciados lá na década de 1970.
Um colega de turma sempre me dizia: “Não adianta lutar companheiro. O capitalismo está aí! Ganhou e não vai mais embora.” E eu respondia, “Não é bem por aí camarada. As coisas já não são mais as mesmas.
A quebra das últimas semanas veio para me dar mais força em meus pensamentos.
Raciocinem comigo:
O grande Tio San está hoje, em duas Guerras perdidas (Iraque e Afeganistão, tomando porrada de guerrilheiro). E a questão nem é a de abastecimento interno. É muito mais caro transportar o petróleo do Oriente Médio até os EUA do que comprar na América do Sul com Hugo Chávez. A questão lá é dominar o combustível europeu, ou seja, ter a União Européia nas mãos e controlar a passagem de gás natural da Rússia e do Irã para os Velhinhos do Velho Continente. A velha luta entre a “Mãe Rússia” e o “Tio San”.
A Arábia Saudita possui hoje, 3 trilhões em bancos estadunidenses, a China mais uns 2 trilhões, pensem comigo: O Sheik acorda de mau humor e diz: “Tirem todo o dinheiro dos bancos estadunidenses” ao mesmo tempo Hu Jintao, presidente Chinês, decide tomar todas as multinacionais instaladas em forma de empréstimo na China sem pagar indenizações. Queria ver a cara do Bush nessa hora!
É claro que isso não ocorrerá, a Arábia Saudita está muito bem com seu petróleo e a garantia de defesa e armamento dada pelo EUA. E Hu Jintao, não está afim de ser atacado pela OTAN enquanto toma o seu chá.
Por outro lado, enquanto os dois países investiam nos Estados Unidos e o EUA os recebia de braços abertos, alguém comia quieto nos confins da Europa. Outubro de 1917 lhes lembra algo? Então, depois do fim da União Soviética a Rússia entrou em um período de estagnação econômica, seu armamento foi em grande parte sucateado, perdeu sua área de influência, até que um ex-espião da KGB se tornou 1º Ministro.
Putin assumiu o país falido e o deixou novamente em bons “mares”. Reorganizou a economia, reacendeu o sentimento nacionalista, reativou o armamento (com tecnologia nuclear) e voltou a estender seu domínio pelo Leste Europeu, aumentando consideravelmente a área de influência do país.
Prova disso foi o conflito com a Geórgia. No inicio do ano tropas americanas, tropas Georgianas e mais alguns aliados dos dois países fizeram treinamentos na região. A Rússia não reclamou fez uns vôos de reconhecimento, nada mais.
Na Abertura dos Jogos Olímpicos, com Putin na China, e o atual primeiro ministro russo de férias a Geórgia viu o momento perfeito para o ataque: Coitada da Ossétia do Sul, o território separatista nem teve tempo de se preparar. O que o governo do país georgiano não esperava, era uma ofensiva russa tão rápida, em 24 horas o exército russo já havia cercado por terra e céu a região, massacrando o exército georgiano e obrigando-os a tirar seus homens do Iraque (um grande derrota para os EUA e sua representante Condolisa Rise com quem o presidente Mikheil Saakashvilli da Geórgia havia se reunido dias antes do ataque).
O mundo inteiro acusou o governo Russo de autoritário invadindo território de uma nação soberana... eu não vi nada de mais. O país visinho interveio para defender uma população de origem russa que pede a independência contra uma maioria que mantém ataques autoritários econômicos e sociais.
A Rússia se mandou da região frente ao bombardeio da opinião pública mundial e ninguém se lembrou de falar dos mais de 1000 civis mortos na Ossétia do Sul com o ataque georgiano. Ou você viu o Willian Bonner falar alguma coisa?
O fato é que, quem veio negociar foi a União Européia, a senhorita Condolisa Rise não tem vez naquela região, era ela aparecer e o exército vermelho ...ops... e o exército russo correr com ela de lá. Os acordos que o governo de Putin estabeleceu lhes garante soberania na área, além do apoio dos países visinhos. O Leste Europeu está, por enquanto, livre do Bush.
A Europa agora é um bloco, que os EUA querem destruir com o petróleo e o controle do Gás. Não conseguirão.
Na América do Sul surgiu uma porrada de Governos ditos de esquerda, agindo em bloco e travando a influência norte americana. O caribe continua quebrado, e Cuba continua resistindo. A Ásia e seus tigres comem vários pratos de trigo em poucos trigais.
O que sobrou? A África. Mas isso é outra história....fica para o café da manhã.

Anistia

Author: Dr. Hannibal /

Ontem o juiz Gustavo Santini Teodoro, da 23ª Vara Cível do estado de São Paulo deu ganho de causa a família de militantes do PCdoB torturados durante a Operação barriga Verde entre 1970 e 1974 no processo contra o coronel da reserva Carlos Alberto "Brilhante" Ustra, chefe do DOI-Codi - torturador de carteirinha durante o Regime Militar - essa decisão inédita no país me deu motivos para públicar aqui o texto que escrevi para o Jornal A Noticia e que não foi públicado. É com ele que abro meu Blog!
Em 2008, a “democracia republicana” nos permite dizer o que nos convém, quando nos convém.
Há uns dias atrás assisti um vídeo no qual um deputado, eleito pelo povo por meio do “direito obrigatório” do voto, disse em alto e bom tom: “O erro foi torturar e não matar”.
Isso me fez voltar 44 anos. Naquele 1º/04/1964 as Forças Armadas defenestraram nossos sonhos de um país melhor e usurparam nossos direitos com um Golpe Militar.
Não nos submetemos. Fomos à luta. Pessoas contrárias ao regime recusaram-se a se calar, buscando a reabertura política. Tudo mudou em 1968. No meio do fervor mundial, Paris, Praga, Vietnã... Aqui estudantes foram às ruas, os trabalhadores cruzaram os braços e a luta armada surgiu. Atentados contra as Forças Armadas (não como no episódio do Rio-centro, ou os senhores já se esqueceram?), expropriação de bancos e políticos (bancos que lucravam milhões enquanto a pobreza crescia desenfreadamente ou como o então governador de São Paulo, Adhemar de Barros que tinha 2,6 milhões de dólares escondidos com sua amante no Morro Santa Tereza/RJ), aviões seqüestrados (em troca de militantes “sumidos” pela polícia) e seqüestros de cônsules e embaixadores estrangeiros (que com suas multinacionais remetiam milhões de dólares para fora do país). Ps: alguém sabe por que o embaixador americano Charles Elbrick foi banido pelos militares depois de ser libertado?
O governo dizendo agir em nome da democracia baixou o Ato Institucional nº 5 (AI-5), permitindo e estimulando seus órgãos de segurança a seqüestrar, torturar e até matar seus “inimigos”. Depois disso a pátria sangrou com a dor de famílias que ainda esperam para enterrar os corpos de seus entes queridos.
Contudo, fomos às ruas aos milhares lutar pela Anistia, e conseguimos. Mesmo que engambelados pelos militares. Pois, sendo ampla e irrestrita, a Anistia impedia-os de responder por seus crimes. Mas, valeu a pena! Os filhos dessa “mãe gentil” retornaram para lutar pela abertura política.
Hoje a lei de Anistia está sendo revista e a discussão é acirrada, o medo de alguns fica sob a esperança de muitos.
O mérito da questão não é o revanchismo e sim a tortura. Se os que lutaram contra a ditadura, torturaram os algozes de nossa cidadania, que sejam condenados com os verdugos dos porões do DOPS. Apresentem provas Excelentíssimos Generais!
Hoje dizem que sou “contaminado pela ideologia comunista/socialista”,(o mesmo que se diz de todo aquele contrário a ordem vigente desde a Revolução de Outubro, que derrubou o TZAR) se essa ideologia lutar pela igualdade social no campo e na cidade, sim, sou contaminado (melhor do que pela Veja ou a Novela das 8). Porém, prefiro acreditar que sou um cidadão buscando o direito à vida e à dignidade humana.