Um Tupetudo e a Legião!

Author: Dr. Hannibal /




Aqueles que me conhecem, mesmo que pouco, sabem que existe uma banda que tem feito a minha cabeça desde os tempos de menino. Levo-a no coração e na pele em forma de tatuagem no meu braço direito. Estou falando da Legião Urbana.

O último dia 11/10 marcou o aniversário do 13º ano de morte do cantor e compositor Renato Russo, líder e principal responsável pelo sucesso do grupo brasiliense. Queria ter podido escrever algo para relembrar esse período sem o roqueiro, mas não tive tempo. Fiquei então pensando de que forma poderia representar a importância da Legião na minha vida e hoje, enquanto escutava algumas músicas no PC, tive uma ideia: por que não retratar a minha vida a partir das letras da banda?

Desde a remota época da fita K7 no rádio do carro do meu pai, passando pelos CD’s e DVD’s, chegando até a Era do MP3 as músicas de Renato Russo e companhia sempre foram as mais ouvidas por essas orelhas pontudas. Em 1987 enquanto o país inteiro era sacudido pelas verdades ácidas do disco “Que país é este?”, Música Urbana 2 do ano anterior me apresentava ao mundo: “mais uma criança nasceu”. Um moleque bonitinho de pouco mais de 3 kg.

Os primeiros anos de vida foram escutando as irmãs mais velhas e o que tocava em seus rádios, lá estava a Legião e logo me via cantarolando “Será” pela casa, essa é a primeira música de que me lembro.

Aos 7 anos ingressei na Escola Professora Maria Amim Ghanem e “Ainda me lembro [...] o meu primeiro contato com as grades, o meu primeiro dia na escola”nunca entendi o por quê daquelas Homenagens Cívicas para ninguém, ter que rezar o pai nosso antes da aula, cantar Hino e me submeter sem questionar ao conhecimento dos professores, para que servia aquilo tudo? Na 5ª série com o professor de história eu descobriria que “até bem pouco tempo atrás poderíamos mudar o mundo” e que a escola ainda poderia fazer isso.

Tempo vai, tempo vem e os primeiros amores começam a aparecer, “se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre sem saber que o pra sempre, sempre acaba?” parecia que nunca ia dar certo, até que eu tinha meu prestigio, mas sempre “fiquei esperando o meu amor passar”.

Quando cheguei na 8ª série, um caso me marcou e eu lembro como se fosse ontem: Chegava todo dia da escola no mesmo horário, perto da hora do almoço e sempre encontrava o meu pai fazendo rede de pesca com o seu radinho de pilha, ao me ver, naquele dia, ele mandou a bomba: “Começou a terceira Guerra Mundial!” achei que era piada quando o rádio anunciou: “Acabam de atingir a segunda Torre¨” corri pra TV e meus olhos estupefatos viam as Torres Gêmeas despencar. Não era a 3ª Guerra, mas era o maior golpe sofrido pelo “Senhor da Guerra”.

No ano seguinte, o Celso Ramos, aquilo sim foi transformador. “O sistema é maus, mas minha turma é legal, viver é foda , morrer é difícil”. Passava os dias entre jogar Handebol e ir pra escola. Completei meus dezesseis anos e veio o primeiro emprego “o que eu tenho é só [...] um salário miserável” e minha liberdade financeira que me possibilitou conhecer o mundo, Shows, festas e curtir com a “Geração Coca-cola”, sem ter hora ou dia para voltar.

Foi lá que eu conheci a Paty, com quem eu me casaria anos depois, infelizmente não durou muito, até porque, “se a paixão fosse realmente um balsamo o mundo não pareceria tão equivocado, te dou carinho respeito e um afago” ela não quis tudo isso, “foi até bom, mas ao final deu tudo errado”. Tivemos nossa música, “Eu era um lobisomem juvenil” ficou guardado em nossos corações. Foi no Celso também, que tive os meus primeiros contatos com o MPL e percebi que “não me entrego sem lutar, tenho ainda coração”.

Chegou o Curso de História, a Revolução estava só começando. Íamos para o bar quando estávamos “cansado[s] de ouvir falar em Freud, Jung, Engels ou Marx”. Foi lá que tive a minha primeira namorada pra valer, “Acho que você não percebeu que o meu sorriso era sincero”. Mais uma vez fiquei sozinho. Chegamos ao terceiro ano “quando tudo está perdido sempre existe um caminho”, cheguei a pensar que não aguentaria a chatice de alguns professores, a monotonia das aulas e da minha vida, até quando eu resistiria? Resisti, graças ao surgimento de alguém que tinha ficado guardada na memória. Logo em seguida “o que disserem, agora meu filho espera por mim”, um turbilhão de acontecimentos “estou pensando em casamento, mas não quero me casar” o medo da mudança, e a coragem de seguir em frente. Casei, o Vini nasceu e agora é ele quem começa a escutar as músicas da Legião, que com certeza farão parte da vida dele como fizeram da minha.

3 comentários:

Manuka disse...

Legião também fez parte da minha vida, não tanto quanto a sua, mas lembro-me que havia momentos que só uma frase do Renato era capaz de traduzir o estava sentindo/vivendo.
Fico feliz por fazer parte da sua vida (mesmo que seja uma parte muito minúscula, hehe).
Belo texto como sempre.
Bjs

Carolina Veiga disse...

Muito bom...

Casa Dos E.S.P.E.C.T.R.O.S. disse...

Nossa!!! impressionate!!! adoro legiao, assim como outras bandas e icones do rock que marcam a vida de muita gente!!
parabens mesmo!!!
tudo de bom

de:
http://espectros7.blogspot.com/

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